segunda-feira, 10 de abril de 2017

POEMA


de tudo o que nos compomos

pedra

palavra

gás que aspiramos

em nós só não habita o poema

ele é fora

apenas o imaginamos:

 

pedra

palavra

flor que sonhamos

 

Nada sabemos do poema

enquanto não o tacamos

se pedra

se palavra

se flor que imaginamos

 

mas se sua matéria nos atinge

em poema nos tornamos

pedra

palavra

em coisas que falamos

domingo, 22 de janeiro de 2017

O POETA DORME

                                     domingo

                         o mar

                         o sol em febre

 

No calçadão de Copacabana

manifestantes gritavam palavras de ordem

 

                         Bem ali

                         na Rua Duvivier

a manhã evaporava sem barulho

entre livros e revistas                        

                         ali, onde

                         a palavra iniciava seu sono

                         no coração do poeta

 

Sabiam eles

                         -essa gente formada de

                         gritos e raiva

                         indignação e esperança

matéria bruta do poema-

                         que Gullar partia?

                        

ele não está mais nesse domingo

nessa manhã de Copacabana

ou quaisquer outras manhãs

                         futuras da galáxias

 

                         -onde?-

terça-feira, 29 de novembro de 2016

1964

lá fora o sol desponta
e cobre cidades
amigos que se foram
restos de paixões

acorda com a festa do pão
com um cheiro antigo
assuntos perdidos que o tempo levou

segunda-feira, 6 de junho de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

TEXTOS DE APUCARANA


os teus passos separam do vento as sobras

os caminhos não encontrados

 

o resto o vento se encarregará de depositar

na ternura

toda vez que em mim pensares

terça-feira, 3 de novembro de 2015

TEXTOS DE APUCARANA


sabia que seria assim

o peso da solidão

a falta do teu corpo

 

sabia que seria assim em algumas noites

a falta maior de tudo

 

Nessa hora tudo tem uma dimensão maior
e eu nem sabia assim

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

TEXTOS DE APUCARANA


Faça da solidão sua companheira.

Hoje estou mais acompanhado de mim mesmo

sábado, 18 de julho de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015


Andei pouco pelo Brasil, mas mesmo assim o pouco andado, deu para perceber que cinco séculos depois do descobrimento, ainda não existe um país de “unidade nacional”, salvo a língua dita português entendida por todos, embora com particularidades regionais germinando outra língua com raiz comum do latim. No sentido cultural e muito menos social, essa país não chegou a sua maturidade como nação. Não seja esse o motivo de pecado do seu povo que tem se esforçado para isso, mas por culpa única e exclusivamente daqueles que vem exercendo o direito de governar. E não é isso uma epidemia governamental da república. O endossamento de interesses particulares permeia o alto poder desde os tempos coloniais. Cargos públicos ainda hoje são repassados como se fosse um direito hereditário e não, o exercício da vontade do povo. No pouco que andei esse país, posso dizer que conheci muitos brasis, na sua cultura, na formação social e no apelo de continuar existindo. Tal clamor muitas vezes não é ouvido, não porque seja um grito tímido, mas, porque aqueles que deveriam escutar muitas vezes se fazem de surdo à agonia de sua gente. O pouco que andei me deu a certeza de continuar lutando como fizeram os bravos e destemidos de Guararapes na tentativa de criar uma nação.

sábado, 3 de janeiro de 2015

O roteiro do poeta é acender de luz a ilusão
Que outras medidas tenho para compreender o mundo?
Minha mão espera a vibração da caneta seguir sua trilha
Quem sabe o poema só me tenha-corpo para sua manifestação?